[O amor pode ser multiplicado] O meu relato como mãe sobre a guarda compartilhada.

O meu relato como mãe que foi criada com guarda compartilhada, decidiu criar seu filho da mesma forma e hoje trabalha ajudando pessoas que estão enfrentando conflitos em seus relacionamentos pessoais a superá-los e pensarem primeiramente no melhor para os filhos.

Por ter sido criada com guarda compartilhada e criar meu filho da mesma forma, escrevi um e-book contando um pouco da minha história e dando 7 dicas sobre a criação de filhos por pais separados.

Muitas famílias foram pegas de surpresa com a aprovação da nova lei da guarda compartilhada, que igualou o direito dos pais e mães separados em relação à guarda dos filhos. Como eu e meu ex-marido nos separamos assim que o nosso filho nasceu, gostaria de aproveitar este espaço para ajudar outros pais e mães que estão se separando ou cogitando essa hipótese.

Agora que a maioria já sabe que eu me separei assim que meu filho nasceu, quero aproveitar esse espaço para ajudar outros pais e mães que estão se separando ou cogitando essa hipótese. Nunca fiquei casada um dia sequer “pelo” meu filho. Nunca achei que fosse traumático para uma criança ter pais separados (desde que ambos sejam pais presentes, claro) e jamais levaria um casamento falido adiante em nome do “modelo de família ideal”.

Na boa, traumático seria se ele vivenciasse brigas, agressões, desgastes, tristeza… Muito ou tudo disso eu devo aos meus pais que, com muita sabedoria, criaram a “guarda compartilhada” antes mesmo que ela existisse formalmente. Meu pai nunca pagou pensão para mim e para os meus irmãos, porque ele sempre nos deu muito mais dinheiro e amor do que qualquer juiz pudesse determinar. Ele NUNCA ficou ausente da minha vida (só quando viajava e continua viajando pra pescar – hehehe) e eu NUNCA precisei cobrar a presença dele.

Por que eu preciso cuidar mais do meu filho que meu ex-marido? Porque sou mulher? Só porque eu o carreguei 9 meses e o pari? Porque sou a mãe? Pai também pode ser presente. Pai DEVE ser presente. Nunca achei que mãe fosse superior ao pai na questão de vínculo. É claro que inicialmente, até por fatores biológicos, a criança se vincula mais a mãe mesmo, mas depois o vínculo é mantido por vontade, esforço e hábito. Eu amo minha mãe tanto quanto amo meu pai, e vocês? (ouvi minha irmã desenvolvendo essa teoria hoje e achei o máximo!) Não acho que MÃE É MÃE. Acho que PAI É PAI também. Ambos são insubstituíveis.

Talvez a maioria das pessoas pensem assim porque tiveram pais ausentes, mesmo que tenham crescido com eles dentro de casa. O meu pai foi e é muito presente, logo não vejo diferenciação de amor de pai para amor de mãe (lógico que sempre temos mais afinidades com um dos dois, mas isso não tem a ver com “amar mais” ). Homem/pai presente é coisa rara e não estou falando de pais que trocam fraldas de cocô de vez em quando, tô falando de PATERNIDADE ATIVA.

Pai que pede guarda compartilhada ou que mesmo sem a guarda oficial, quer e faz acontecer sua convivência com o(a) filho(a). Pai que participa do dia-a-dia: educando, corrigindo, participando de atividades rotineiras. Pai que deseja ser mais do que expectador/visitador/animador de circo. Pai não deve apenas levar pra passear em finais de semana alternados. Pai tem que saber o que é acordar a cada tantas horas na madrugada, aprender a comprar a fralda certa, saber o que é ser chamado a cada 5689 vezes ao dia, colocar remédio em machucado, escolher roupa, dormir junto, conhecer os amiguinhos. Pai que é pai mesmo age assim!

Felizmente, pude amadurecer tudo isso e transformar limões numa bela caipirinha. O que poderia ser motivo para uma batalha judicial ou um desgaste emocional está se transformado numa oportunidade de crescimento para mim, meu ex-marido e meu filho.

Atualmente, chegamos ao consenso de que a guarda compartilhada é o melhor pra nós. Não quero privilégio afetivo em relação ao meu filho, mas também quero os mesmos direitos do meu ex-marido. Quero ter dias livres, pois sou mãe, mas também sou mulher! Quero que ele tenha as mesmas experiências que eu tenho com o NOSSO filho: tanto as boas como as ruins. Quero que eles se conheçam mais, que se amem mais, que criem uma relação sólida o bastante para que nada mais os faça retroceder.

Decidimos que esse será um processo gradual, afinal é de uma vida, a vida mais importante das NOSSAS vidas que estamos falando, mas o importante é que decidimos não transformar o nosso filho num cabo de guerra.

Tento mostrar que fico muito feliz em ver meu filho saindo com o pai (e fico mesmo, apesar de às vezes dar um apertinho no coração de saudade) e sempre quando o busco de volta, comento, pergunto, instigo ele a achar boa a casa do pai. Enfim, um trabalho de formiguinha que eu tenho certeza que valerá a pena. Inverter a lógica nunca é fácil, mas quem disse que eu gosto de coisa fácil? Kkkkkkk

Para as mães, digo que é dever de vocês incentivarem a paternidade ativa. É direito de vocês gozarem dos mesmos direitos dos cônjuges de lazer, descanso, vida social e etc. Não permitam ser acometidas pelo sentimento de pertencimento exarcebado, nem de julgamento da sociedade. Eu ouvi e ouço (quase todos os dias) coisas como: “como você tem CORAGEM de deixar seu filho sair com o pai?” , “Tadinho” , “Você tá querendo se LIVRAR da criança” , dentre outras pérolas e sabe o que eu faço: nem ligo! Já passei da fase de me explicar. Tenho a consciência dentro de mim, que me faz deitar a cabeça no travesseiro sabendo que estou fazendo o melhor para o meu filho. Que estou lhe dando o direito de conviver com sua família, que não é porque o casamento se desfez que ele precisa ser privado da companhia do pai, ou ser menos feliz por isso.

Eu sou mulher e não apenas mãe. Meu ex-marido é homem e está aprendendo uma nova forma de ser pai. Meu filho está crescendo num formato diferente de família, contudo, não com menos amor. É como eu costumo dizer: na guarda compartilhada, o amor não precisa ser dividido, ele tem que ser multiplicado.

Autoria: Marília Sampaio. Adaptação: Daniela Teixeira

Como mãe, o que você fará diante dessa nova realidade? Se fosse fácil lidar com ex, ele seria “atual” e não ex. Fácil não é para ninguém, mas pode ser mais simples se você seguir à risca as 7 dicas que eu dou no meu e-book. Ele está sendo disponibilizado gratuitamente para download, mas por tempo limitado.

About The Author

Dani Teixeira

Formada e pós-graduada em algo que nunca lhe deu prazer. Conheceu o coaching, enfrentou um divórcio complicado, abandonou a advocacia no serviço público, fundou a Reconstruindo Histórias e passou a trabalhar apenas com o que ama: ajudar outras pessoas a reconstruírem suas histórias. Hoje é Master Coach, Analista Comportamental e Membro da SLAC – Sociedade Latino Americana de Coaching.

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